Publicado em 18.08.2016 - Blog do CBP - Sem comentários

Capelania EscolarDICA DO CAPELÃO

Real e a Virtualização

“Não é bom que o homem esteja só” Gênesis 2.18

 

O ser humano foi criado para se relacionar e, relacionando-se, reconhece a si mesmo e ao próximo. São nos relacionamentos que nos completamos, desenvolvemo-nos, crescemos, aprendemos mutuamente, enfim, somos humanos.

Relacionamentos fraternos entre familiares, coleguismo nos ambientes escolares e profissionais, e as amizades, que de tão importantes e preciosas, algumas se tornam mais fortes e chegadas do que alguns relacionamentos de sangue.

“Em todo tempo ame o amigo, e na angustia nasce o irmão.” Pv 17.17

Sendo algo imprescindível – dito pelo próprio Deus Criador, deveríamos valorizar e cuidar melhor dos nossos relacionamentos, contudo, não é isso que vem acontecendo!

A humanidade vem evoluindo em questões científicas, tecnológicas e bio-medicinais, e involuindo nos seus relacionamentos interpessoais! A vida humana de relacionamentos vem sendo trocada pela vida virtual.

O fenômeno da internet nos anos 90 possibilitou algo inédito na humanidade e com a explosão das redes sociais nos anos 2000, o que poderia ser uma ferramenta de apoio aos relacionamentos, tornou-se em desumanização do ser.

Famílias conectadas nos aparelhos, sentadas na mesma sala de estar se percebem estranhos! Não há conversas, não há trocas de carinho, não há relacionamentos humanos.

Como verdadeiras máquinas automatizadas, o celular é o primeiro a ser tocado pela manhã, substituindo o antigo beijo do pai ou da mãe, o bom dia… E é ele – o celular, que lhe será o “Deus te abençoe” à noite!

 

TRANSFORMAÇÕES SIM, DEFORMAÇÕES NÃO!

Quem faz da mudança algo benéfico ou não é o próprio homem, é importante termos a consciência de nosso papel de protagonista, não devemos aceitar uma postura de coadjuvantes ou mesmo de vítimas de um sistema que nós mesmos desenvolvemos.

Jogos eletrônicos que simulam a realidade podem levar o adolescente – principalmente, mas, não somente; a uma expectativa de vida falsa, a vida real não nos permite o ‘reiniciar’ após um acidente de carro em altíssima velocidade!

Em nossos celulares, alimentamos crianças, cuidamos de animais, mantemos uma agenda de equilíbrio do ecossistema, competimos em diversos campeonatos esportivos e ainda compartilhamos resultados do sucesso da consciência virtual, enquanto o mundo ao nosso redor desmorona embaixo de nossos pés.

Se algumas profissões – que entre muitas características, tinham o relacionamento interpessoal como um de seus carros-chefe – (bancos, correios, comércios), todavia, hoje não se faz mais necessário o olhar carismático, o sorriso estampado e a boa educação, novas profissões surgem, onde as etiquetas antigas dos relacionamentos humanos foram descartadas!

Youtubers é o nome que se dá aos profissionais da grande rede, canais direcionados principalmente – mas, não somente; aos adolescentes. Falam de relacionamentos familiares, namoros, comportamentos sociais etc. Tudo no universo virtual, eis um grande paradoxo!

Sem filtros – ou pudores, os youtubers se valem muitas vezes de palavrões, vulgaridade e futilidade para segurar a audiência de seus canais. Com conteúdo descolado, edição de imagens, alta tecnologia, sorrisos e maquiagens conquistam milhares e alguns milhões de seguidores, o que lhes garantem verdadeiras fortunas a cada mês.

Profissões nobres nos relacionamentos humanos de um passado que fica cada vez mais distante (como professores, médicos, bombeiros, advogados…) são preteridas pelos adolescentes de hoje, que sonham em ter um canal de sucesso na grande rede mundial!

E ainda a própria fé, que se faz necessária para o complemento de nossa humanidade, permitindo-nos também através da comunhão com o próximo o relacionamento com o Deus Único e Verdadeiro, hoje é trocada pelo copo de água abençoado pelo pregador da Televisão.

Nunca o ser humano esteve tão amedrontado em estar próximo aos seus similares. Depressão, medos diversos e mesmo o pânico, tem sido o sentimento de muitos quando saem de casa. O lar se tornou um lugar de estranhos, as crises que são compartilhadas em família hoje resumem-se à queda do WIFI!

O distanciamento dos pais tem causado um peso na consciência, um excesso de proteção, não permitindo aos filhos o desenvolvimento das competências humanas! Crianças tratadas como adultos, que serão adultos crianças num futuro próximo e desastroso!

E mais: Diante do teclado somos quem queremos ser, falamos o que nos vem na cabeça. Assim como o álcool ou outras drogas, a virtualidade para muitos serve como desculpa para a falta de juízo e valor, e outro grupo de desumanizados surge, os Haters, que se manifestam de forma odiosa, violenta e cruel nas redes sociais contra qualquer opinião que não aceitem.

Nossa humanidade encontra-se tão perdida, tão sem rumo que a moda no momento é “caçar Pokémon”! Outro fenômeno da atualidade, que até consegue tirar o adolescente de dentro do seu quarto, mas não para se relacionar com o real e sim com o virtual. A própria relação com o tempo foi alterada, ocupamos mais tempo hoje no mundo virtual do que no real!

Há algumas verdades que precisamos considerar ao analisarmos este momento.

  1. A vida é uma, é curta e não é possível reiniciá-la;
  2. A escolha continua sendo nossa! Nossa vida está em nossas mãos!
  3. Temos que assumir que estamos vivendo uma crise em nossa humanidade;
  4. Precisamos dar respostas reais, um olhar, um abraço, um beijo, valem mais do que mil curtidas!
  5. Ainda é possível virar o jogo!!

Não diga à grande rede que seu filho, cônjuge e/ou amigo é importante, DIGA A ELE!

Que o seu tom de voz, o seu olhar, o seu afago, abraço apertado seja o compartilhar da sua essência na existência do teu próximo!

Foto Públio

 

 

 

Pastor Publio Azevedo
Capelão e Professor do CBP